História e evolução entre o passado e o futuro

postado por aleile @ 1:29 PM
1 de dezembro de 2011

A Baía de Todos-os-Santos é a maior baía do Brasil, com extensão de 1.052 km2 e profundidade de 42 metros

 

Oficialmente, o porto foi inaugurado em 13 de maio de 1913. Está situado em uma área naturalmente protegida da Baía de Todos-os-Santos

 

Se Américo Vespúcio tivesse observado melhor a Baía de Todos-os-Santos, perceberia que ela não é precisamente uma baía, mas sim, um golfo, formado por duas baías contíguas: a de Iguape e a de Aratu. A afirmação em tom de brincadeira é do Mestre em Engenharia Ambiental e ativista ambiental, José Augusto Saraiva, do Grupo Gérmen. Ele lembra que somos baianos, justamente por causa desta baía. “Somos baianos por causa dela. Caso contrário, seríamos golfanos. E a sua importância é mais que ambiental: a Baía de Todos-os-Santos funda a nossa identidade cultural”, afirma o pesquisador.

A história da BTS se funda com o início da história do próprio país e lá se vão mais de 500 anos de ocupação desse território, diversos ciclos econômicos, regimes, mas uma beleza que se mantém exuberante e rodeada por comunidades tradicionais, que retiram do mar a sua subsistência. O futuro, repleto de projetos econômicos importantes e que mudarão radicalmente a paisagem e o fluxo na região, convive com o lugar com o pé no passado, repleto de histórias, lendas e memórias. Lá estão a Baía de Aratu, a Baía de Iguape, os  municípios de Salvador, Cachoeira, Itaparica, Jaguaripe, Madre de Deus, Maragogipe, Salinas das Margaridas, Santo Amaro, São Francisco do Conde, Saubara, Simões Filho e Vera Cruz, que juntos compõem a Área de Proteção Ambiental – APA, criada em 5 de junho de 1999.

Com saudades, o pesquisador de História da Bahia, Eduardo Gantois, revela as memórias de um tempo de abundância nas águas da Baía: “Vermelhos de todas as espécies eram  capturados no canal entre Salvador e Itaparica. Tainhas e agulhas davam em abundância na Enseada dos Tainheiros, inclusive o nome Tainheiros, se originou dos ‘tainheiros’,  pescadores de tainhas. Robalos eram pescados na Ponta da Penha em extensões de pontes de madeiras que ali existiam. Em baixo do flutuante do Hidroporto da Ribeira, dava robalo.

Caconetes e cações eram apreendidos com facilidade nos arredores da Ilha de Maré. Grandes budiões azuis eram vistos no cais sul do Porto e no madeirame que sustentava os  trapiches na Preguiça e no Porto”. Para ele, quem viveu os tempos de fartura, o que existe hoje não lembra nem de longe o que esse mar já ofereceu.

Formação- A BTS é a maior baía do Brasil, com extensão de 1.052 km2 e profundidade de 42 metros. São ao todo 56 ilhas espalhadas, com maior destaque para Itaparica, Madre de Deus, Ilha de Maré, Ilha dos Frades entre outras. Sua formação compõe uma espécie de ancoradouro natural, o que logo despertou o interesse dos portugueses, que enxergaram aí um potencial para a comunicação com a metrópole. No século XVI, o porto ali instalado tornou-se o mais importante de todo o Hemisfério Sul, servindo para o escoamento de produtos não somente brasileiros, mas como de outros países da América Latina. Era também a porta de entrada para os escravos, chegados das diferentes regiões da África, para trabalharem nos engenhos de açúcar do Recôncavo Baiano. Seu nome vem do fato de ter sido fundada no dia 1º de novembro de 1501, dia de todos os santos.

Vários ciclos econômicos se passaram na região: pau-brasil, o açúcar, caça às baleias, petróleo, indústria petroquímica, a ocupação desordenada, carnicicultura e instalação do Porto de Salvador no século XIX. No início de tudo, na Baía de Todos-os-Santos foi palco das invasões holandesas, mas também dos movimentos de resistência das tribos indígenas. A região também assistiu as batalhas pela Independência da Bahia e a expulsão das tropas portuguesas, confirmando a emancipação brasileira frente à metrópole portuguesa.

Mais tarde, algumas dessas ilhas viriam se transformar em quilombos, onde escravos fugidos e mais libertos foram se abrigar, criando uma estrutura de vida, que ainda se conserva até hoje. “O Porto de Salvador foi, durante os primeiros séculos da Colônia, o porto mais movimentado das Américas, sendo Salvador a capital administrativa das terras portuguesas. Nesse período, era chamado simplesmente de Porto do Brasil, e por ele chegavam as mercadorias comercializadas com a Metrópole e outras nações” explica Tenente Queiroz, da Assessoria de Comunicação da Capitania dos Portos, uma das responsáveis pelo Porto de Salvador. Oficialmente, o porto foi inaugurado em 13 de maio de 1913.

Situado em uma área naturalmente protegida da Baía de Todos-os-Santos, somente no século XX o porto veio a ser objeto de obras que o modernizaram relativamente. De acordo com artigo do professor da  Universidade Federal da Bahia, Everaldo Queiroz, “A história dos pescadores está enraizada nos índios Tupinambá, que habitavam a baía, na intrusão dos negros e dos europeus, cada um contribuindo com fragmentos de suas culturas para a exportação dos recursos marinhos. Reflexos nas pescarias e na forma de consumo dos frutos do mar – a culinária. Da jangada, passando pelas canoas, até os saveiros, uma história evolutiva que envolve, desde os recursos do manguezal, o ambiente recifal, praia e restinga, além da borda das matas, até o os recifes submersos”.

 

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