Degradação da área é resultado de processo histórico

postado por aleile @ 7:20 PM
18 de novembro de 2011

 

A tradição econômica da região acabou tendo como uma das suas consequências a ocupação desordenada. Para os estudiosos do assunto, todos os problemas atuais são decorrentes desse fato e só projetos de urbanização podem ajudar a resolvê-los

Lançamentos de efluentes domésticos e industriais, ocupação desordenada do solo, desmatamento, disposição inadequada de resíduos sólidos e pesca com bomba. Esses são alguns dos principais fatores que, ao longo de 510 anos, têm contribuído para a degradação da Baía de Todos-os-Santos. Hoje considerada Área de Proteção Ambiental (APA) e uma região vital para a garantia da sustentabilidade da economia das comunidades que vivem no seu entorno, a baía conta com uma série de políticas públicas e iniciativas privadas voltadas para sua requalificação e preservação.

A professora do curso de Engenharia Ambiental da Unifacs, Marion Dias, lembra que, ao longo dos anos, a BTS teve seu cenário natural alterado. “A área passou a ser caracterizada também pela presença de indústrias e habitações espontâneas que causaram por sua vez impactos significativos para a qualidade ambiental da região. O acúmulo de contaminantes por décadas, iniciado em um período onde não havia uma preocupação nem regulamentações específicas que limitassem o seu lançamento no meio ambiente, proporciona hoje uma condição de difícil regeneração”, analisa Marion, que é mestre em Engenharia Ambiental Urbana.

Ela ressalta que um dos problemas é a falta de planejamento urbano motivada pela exclusão socioeconômica originou a ocupação espontânea. Esse processo gerou uma concentração populacional que hoje sofre os efeitos da expansão industrial vivida pela região, pois está inserida no meio impactado e usufrui de parte dos recursos naturais oferecidos, a exemplo dos pescadores e marisqueiras.

“Essa população também é vítima de si mesma, pois devido à precariedade dos serviços de saneamento, gera e descarta aleatoriamente seus resíduos (lixo e esgotos domésticos) que trazem consequências sobre a saúde local”, diz a professora da Unifacs, que atualmente ensina as disciplinas Água e Qualidade Ambiental e Saneamento Ambiental.

Na sua avaliação, a promoção da requalificação ambiental da BTS requer mudanças que vão além das determinadas na legislação ambiental, que estabelece parâmetros, define  critérios e exige técnicas apropriadas. “Este trabalho exige também que todo o passivo adquirido anteriormente a esta regulamentação ambiental seja minimizado, a fim de que progressivamente se alcance condições para se chegar ao equilíbrio ambiental”.

Soluções - A especialista pondera que é difícil estabelecer quais medidas especificamente pudessem reduzir em um tempo predeterminado todos os problemas sofridos hoje pela BTS.  “Mas, com certeza, em grande parte dos casos, o tempo necessário será muito maior que aquele que levou às condições de hoje”. Ela acredita, no entanto, que há medidas que podem evitar o crescimento do problema, a exemplo do fim da expansão industrial na região e a implantação de uma infraestrutura adequada para a promoção da saúde, qualidade do meio ambiente e consequente melhoria de vida da população.

Lembra também que a BTS corresponde a uma área extensa e com características e níveis de impactos diferentes e esses aspectos podem vir a dificultar, técnica e financeiramente, ações de ordem macro, voltadas para a preservação. Marion enfatiza que essas ações não devem ser parciais ou mesmo temporárias e envolver apenas o poder público.

“É importante, ao agir, identificar toda a extensão do impacto e atuar em toda a sua dimensão, envolvendo a população fazendo-a participante e co-responsável pelo espaço, pois desta forma poderão ser alcançados resultados satisfatórios e duradouros. Além disso, deve-se incentivar a população a participar do processo de busca de soluções, a fim de que ela se aproprie do lugar onde mora, não apenas no sentido de posse, mas também no de cuidado e preservação de um espaço com riquezas naturais”, resume a professora e engenheira ambiental.

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